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12 de agosto de 2010


CASIMIRO DE ABREU
A M.***

Viste o lírio da campina?
Lá s'inclina
E murcho no hastil pendeu!
- Viste o lírio da campina?
Pois, divina,
Como o lírio assim sou eu!

Nunca ouviste a voz da flauta,
A dor do nauta
Suspirando no alto mar?
- Nunca ouviste a voz da flauta?
Como o nauta
É tão triste o meu cantar!

Não viste a rola sem ninho
No caminho
Gemendo, se a noite vem?
- Não viste a rola sem ninho?
Pois, anjinho,
Assim eu gemo, também!

Não viste a barca perdida,
Sacudida
Nas asas dalgum tufão?
- Não viste a barca fendida?
Pois querida
Assim vai meu coração!

Rio - 1858.

DEUS
Eu me lembro! eu me lembro! — Era pequeno
E brincava na praia; o mar bramia
E, erguendo o dorso altivo, sacudia
A branca escuma para o céu sereno.

E eu disse a minha mãe nesse momento:
“Que dura orquestra! Que furor insano!
Que pode haver maior do que o oceano,
Ou que seja mais forte do que o vento?!”

— Minha mãe a sorrir olhou pr'os céus
E respondeu: — “ Um Ser que nós não vemos
É maior do que o mar que nós tememos,
Mais forte que o tufão! meu filho, é — Deus!”—