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A maldita vida on Line ilusória


Somos capazes de compartilhar senhas na internet mas não compartilhamos nem nossos verdadeiros gostos com o amigo de trabalho. Somos capazes de dar gargalhada em um vídeo do youtube ou no compartilhamento de DMs (mensagens privativas do Twitter) ou emails, mas somos os mal-humorados de dentro de casa.

Somos sempre os mais felizes do orkut, as frases de impacto do msn e nem ao menos nos conhecemos realmente.Temos milhares de seguidores em locais virtuais e lá nossas palavras causam sorrisos ou indignação mas no trabalho ou em casa somos introspectivos e calados.

Você passa mais tempo com pessoas virtuais que reais. Está se reconhecendo? Pois é!

Muita gente se pergunta por que o Twitter vicia. Ora, qual o sonho de toda pessoa desde a adolescência? Chegar numa roda de amigos e ser a pessoa querida e influente, o "BamBam" da turma, talvez? No Twitter é fácil fazer isso: um avatar legal, (que nem precisa ser você mesmo(a) já que há tantas personalidades, celebridades e personagens que você pode ser,) umas tweetadas (ou tuítadas, como queiram) que requerem o mínimo de inteligência e bom senso, ou percepção dos hypes  (assuntos do momento) e pronto! Tem-se uma vida ON maravilhosa e respeitada apenas a passos de um block para os indesejados (leia-se: os que não gostarem de você).

Você tem um trabalho de merda, acha-se em um local de trabalho que não gosta, faz o que detesta e acha que é valorizado aquém da sua capacidade, vai pra internet, vira blogueiro "de grátis" e se sabe falar bem sobre determinado assunto dominando um pouco a escrita já consegue seguidores, pois na selva da rede todo mundo é lido ou seguido por alguém. Há lugar pra todo mundo. E você ,então , consegue a dignidade e a autoestima de volta. Agora você é alguém. Na internet te ouvem, te leem, te respeitam, elogiam o teu trabalho. Você é o "cara" da vez. Os eufemismos existem para serem utilizados, pois você mesmo(a) já não é o próprio em ação? Não é você a pessoaquenãoévocê? Ou não é você uma pessoa "melhorada" de você mesmo(a)?

Quem não quer ser elogiado? Quem não quer ser seguido? Quem não quer ser ouvido? Ser respeitado? Na internet pessoas se tornam os bambambans, formadores de opinião e tudo, mas excluindo cada vez mais pessoas reais de suas vidas.

Com isso você vai se individualizando, tornando-se apenas um ser metamórfico. Você começa a não conversar em casa porque já conversou tanto no twitter, no msn, respondeu comentários de blogs, scraps, que está cansado(a). Perde o contato com seus amigos OFFs.

E você começa então a refletir sobre tudo. Começa a perceber as pessoas ao seu redor e ver que eles não estão em barco diferente. Todos conectados. Todos na rede. Todos interligados. Todos ON. E isso é bom por um lado. É bom que você tenha paixão e participe de muitas redes sociais, que conheça pessoas, que faça amizades, que participe de muitas coisas. Mas você não é uma ilha fechada em seu computador. Suas atitudes não são feitas só para você, pelo contrário, tudo que você faz em maior ou menor proporção acaba influenciando de alguma forma outra pessoa. E quando falamos de forma real e virtual, a influência é para muitas pessoas, por que, afinal de contas, você tem sua vida OFF. Familiares e amigos OFFs.

E nessa vida OFF, na vida real, você está compartilhando com seus amigos, família essa linda (ou não) pessoa que você se mostra na internet? Você compartilha seus gostos, conquistas, piadas e vídeos com as pessoas que vivem perto de você? Com a pessoa que dorme e come com você diariamente?

Ter uma vida ON line faz com que você conheça mais quem nunca viu do que os que estão próximos de ti? Será que você permite que os que te amam aí de pertinho te conheçam realmente? Ou teus seguidores do twitter ou Blogs te conhecem mais que qualquer um da sua família? Você tem centenas ou milhares de seguidores e amigos na sua vida real?

Você deixa as pessoas que estão perto de você na sua vida real se expressar? Conversar com você? Você conversa com elas? Tanto quanto conversa e pergunta se sua amiga do msn vai bem porque ela colocou no nick dela que está triste? E quando sua mãe está triste, você percebe? Quando sua mulher ou seu marido está triste, você os vê?

Mas você faz coisas importantes na Internet... Que bom! E você compartilha isso com sua família? Ou você simplesmente a exclui de sua vida? Pode ser de forma consciente ou inconciente, não importa. Você exclui. Exclui porque quer uma liberdade ilusória de ser alguém que você não é. Discute temas e participa de várias coisas e deixa sua família como peixes fora d'água.

Perceba que ficar tempo demais na internet também é uma fuga. Se não for fuga da vida que você leva, é do casamento, é de um trabalho que não goste, é do stress do dia a dia, os motivos podem ser vários. E assim terminamos por dizer coisas pros estranhos que às vezes não falamos pros próximos. E nada, nada mesmo no mundo o(a) impede ainda de você de se apaixonar por alguém via internet ou alguém se apaixonar por você. O tempo que se perde na internet também viram buracos dentro de um relacionamento. Daí o seu companheiro(a) reclama que você o(a) deixa muito sozinho(a). E não deixa?

Mas o que acontece é que todos nós somos sozinhos. Convivemos com as outras pessoas mas somos sozinhos. Ninguém compartilha tudo que sente ou que pensa, ou acredita, mas na vida real precisamos trabalhar com o que é prioridade e esta sempre deve ser o que amamos e o que (ou quem) nos ama.

Sim, eu sei que é tudo tão previsível na vida real... Você já sabe a crítica da esposa ou do marido dependendo do número de anos de casados. Em um relacionamento, respeitamos o outro, os gostos do outro só enquanto estamos na fase da conquista, namorando, apaixonados, depois isso acaba. O ruim da vida é que ninguém nos conta isso pra que a gente se prepare. Então a gente começa a não dizer coisas porque já sabemos a crítica que o outro vai dizer e não queremos ouvir. E encontra-se na vida ON, a liberdade que não se tem na vida OFF. Liberdade de ser e dizer o que se quer. Uma forma de sobreviver.

Não tem amigos? No twitter, eu em duas semanas estou com quase 400 e aumentando. E olha que já cometi twitercídio oito vezes. Fácil viver ON. Fácil ser amado ou odiado on line. E, acredite, pessoas seguem até aqueles que odeiam, que o diga os trolls. Uma vida de ilusão,onde a maioria só mostra o que quer que apareça.Ninguém vê as fraquezas, intempéries e defeitos. Dependendo do avatar, ninguém nunca nem ao menos vê quem ou como você é fisicamente. Você não deixa. Não quer mostrar.E é respeitado(a) por isso. Agora experimenta sair de máscara na rua...

Você pode ainda na internet destilar seu mau-humor quando necessário, pode criticar alguma coisa que não goste,pode ser divertido, sarcástico e mesmo assim, as pessoas ilusoriamente ainda te amarão. Na internet, você descobrirá que certas coisas você dá conta, como escrever e ser lido por várias pessoas. Mas, me diga, se vc sumir da vida On quantos te procurarão?

Enquanto é tempo veja o que está errado e busque o equilíbrio. Modifique-se.Não deixe pessoas virtuais fazerem mais parte de sua vida que pessoas reais, que estão aí perto de você. Porque pra você certas pessoas podem ser importantes, mas você para elas pode ser simplesmente, uma arroba(@), um nickname. Os seus sentimentos  e os sentimentos de quem você ama são importantes demais para serem assim delegados. Jogados numa vidinha on line medíocre em que de você nem sentirão falta.


*Essa reflexão foi escrita após uma conversa no msn com meu amigo @jmpsousa. 
Certas reflexões no texto foram adaptadas de fragmentos escritos por sua esposa.

Comentários

  1. Nossa, Jô,
    é isso mesmo.
    Alguns poucos amigos da internet viram amigos na vida real, mas quantos amigos reais abandonamos?
    Eles não nos conhecem tanto, não sabem o que pensamos. Muitas vezes é mais fácil digitar do que falar.
    Também ando pensando nisso. Relacionei algumas ideias no http://blogdachrisletras.blogspot.com/2010/08/como-seria-minha-vida-sem-internet.html
    Mas teu texto trouxe tudo: as angústias, a solidão, a fuga.
    Beijos e se cuide.
    Aqui tem uma amiga on que gosta de ti off também.

    ResponderExcluir
  2. Jô, após ler o seu texto e o da Chris, começo a crer que estou mesmo precisando viver um pouco mais off.
    Beijos.

    ResponderExcluir

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